Um dia de Mozart II

A Mima vive falando que sou doido, faço em 1 dia o que alguém normal faria em uns 3, e o pior é que tenho que concordar com ela. Isto tem nome: maraturismo*  De todos os vicios negativos de viagem que já expurguei, este ainda é o maior.. já programo estadias maiores nas cidades, planejo bastante, compro entrada antecipada onde parece importante – mas continuo indo a lugares demais – e nem acho isso tão ruim. Cansa prá caramba, mas ao final do dia (e da estadia) dá gosto ter visto tanta coisa 🙂

E assim, depois de andar feito doido pela manhã, resolvi: já que fui no lugar de enterro de tanta gente, porque não conhecer um pouco mais sobre a vida deles? O mais famoso dos museus dos compositores é a Casa de Mozart, e para lá segui:

MOZARTHAUS VIENNA

A história de Mozart s em Viena é enorme; ali ele compôs várias de suas peças e viveu boa parte da vida. Esta é a única das várias casas de Mozart em Viena que está inteira até hoje. Ali ele viveu 3 anos numa casa que hoje não é muito grande, mas para os padrões da época… ela fica na Domgasse 5, perto da Catedral, e os 3 andares do pequeno edificio viraram um gigantesco museu.

Vista da casa de Mozart

Para entrar são 9 euros (15, combinando com a Haus der Musik, que foi o que comprei) e o Museu foca nos seus anos em Viena, suas composições ali feita (destaque para “As Bodas de Fígaro” compostas nesta casa). O tour começa no terceiro andar e vai descendo, sempre acompanhado do ótimo audio guide. O segundo piso é particularmente interessante, com cada quarto dedicado a uma peça: Figaro, Don Giovani, A flauta mágica… em diversos momentos também é comentado algo sobre Salieri, mudando um pouco a impressão que o filme  “Amadeus” passou.  Finalmente, no primeiro piso temos o apartamento de Mozart propriamente dito, onde mesmo após tantos anos, tentaram organizar o mais próximo possível ao que havia na época de Mozart.

Convite para "As Bodas de figaro"

 

Ao contrário de Schonbrunn ou da Opera, Mozarthaus não é um dos lugares realmente imperdíveis de Viena. Mas quem puder, vá! É bastante instrutivo, tanto sobre Mozart quanto sobre a própria sociedade vienense, que em sua época (1780) era uma das mais instruídas do mundo. Sem dúvida, 90 minutos muito bem usados…

HAUS DER MUSIK

Como havia comprado o combinado, segui para o último passeio do dia, um lugar que achava que ia ficar uns 30 minutos mas que foi uma grata surpresa. Lógico, até chegar lá me perdi um monte de vezes, e não há mapa que resolvesse minha vida… mas depois de uma boa caminhada, intercalada por sorvete, cheguei ao lugar certo.

Este ‘museu da música’ são 4 andares que compreendem desde a história da música, até interações onde você pode criar seu próprio CD usando sons naturais… O Primeiro é só para uma passada rápida, uma homenagem a Philarmonica de Viena, relembrando seus regentes e um pequeno cinema com a filmagem do concerto de Ano novo da filarmonica. A farra começa no segundo piso, que é extremamente interativo onde a gente faz diversos testes com sons ambientes, testa velocidade e altura de frequencias, brinca com a sonoridade das coisas… é bastante divertido e provavelmente o lugar onde mais fiquei. 

Casa da Música

O próximo é onde eu normalmente ficaria mais tempo, mas como já estava meio cansado, acabei passando um pouco rápido. Mas temos aqui diversas salas, cada uma dedicada a 1 músico: Haydn, Schubert, Strauss, Mahler, Mozart, Beethoven, etc… aqui temos um audio guide para ir seguindo pelas salas, com diversos documentos, itens pessoais, até mesmo instrumentos tocados por eles, tudo muito bem estruturado e montado.

Piano de Beethoven

E para terminar este piso, há o provável ponto alto da casa: uma Orquestra virtual. Você escolhe a música, recebe umas dicas de Zubin Mehta e começa a reger: indo bem, ao final os músicos aplaudem; mas se você for mal… logicamente é muito mais divertido quando você rege na velocidade errada e vê os tocadores se matando para acompanhar a velocidade.

Orquestra Virtual...não, este não sou eu

O último piso é o chamado Futurespace, um lugar que vi agora no site (http://www.hdm.at/ ) que foi desenvolvido pelo MIT, onde criamos sons do que eles chamam de ‘sons do futuro’, que é na verdade um monte de coisas com sons estranhos – por exemplo, fazemos músicas sentado num cockpit, ou socando umas ‘pedrinhas’… só vendo para entender 😉  O problema foi na hora de ir embora… é que não achei de jeito nenhum a saída, e a única porta que encontrei (e não estava sozinho) era a saída de emergência. Assim, mesmo com uma bela placa de ‘não passe ou soará o alarme’, lá fomos nós – ao final, deu tudo certo e depois de descer aquele monte de escadarias chegamos ao hall de entrada finalmente.

Resumindo: pensava em passar uns 30 minutos na Haus der Musik e fiquei umas boas 2 horas ou mais ali, principalmente nos pisos 2 e 4, a parte mais interativa. Acho que não é todo mundo que vai curtir, mas para mim foi uma bela surpresa, bastante divertido e uma maneira de conhecer coisas diferentes ali em Viena. Para ser perfeito o dia, só faltou algum concerto – mas já estava tarde e deixei estes para Praga.

Indo para o centro, a Stephandsom estava linda, parecendo filme de terror (e me fazendo lembrar das dezenas de corvos que havia na Polonia…)

Stephandsom

*Não sei quem inventou a palavra ‘maraturismo’, mas vi pela primeira vez esta palavra no “Viajenaviagem” e para ele dou os créditos…
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Uma resposta

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Alex Melo, Alex Melo. Alex Melo said: Terminando a saga musical em Viena… http://bit.ly/hIp7qr […]

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