De carro pela França

Sempre que pensei em Paris, pensava em conhecer o Vale do Loire, uma região com mais de 300 castelos e que, onde quer que se leia, dizem ser lindíssima. A maneira mais comum é sair de Paris com tour de 1 dia, que dura umas 13 horas, ou ir até a cidade de Tours de trem (uns 90 min. de Paris) e ali pegar um tour por 2 ou 3 castelos. Sempre me pareceu cansativa, mas se fosse a única maneira, teria ido.

Porém, esta era a última opção.Como demos sorte e tínhamos alguns dias, resolvemos explorar melhor a região. Dá para ficar em alguma das cidades do Vale e ficar indo e voltando de trem entre os castelos, mas o carro permitiria uma liberdade muito maior. Além do mais, com a Isabeli junto, não dá para ficar dependendo de transporte público para tudo.

Mais ainda: um passeio ‘clássico’ é juntar o Vale do Loire com a Normândia  e até as praias do Dia D. Porém, isto já demandava mais tempo, que não tínhamos. Assim, resolvi fazer somente o principal ponto turístico da região, O Mont St Michel (que já adianto: é mágico). Com isto tudo, tinha que alugar carro mesmo.

PID ou não PID!

PID = Permissão Internacional para Dirigir. Pesquisei muito, li muito (principalmente este post) e resolvi conseguir minha PID. Foi aí que começou a se complicar as coisas…

1) A Permissão para dirigir vale durante o período que vale sua habilitação. Estávamos em Maio, viajando em Julho e minha carteira venceria em Novembro.

2) Isto não seria problema se a PID fosse barata, como é no RS, onde custa pouco mais de R$ 40,00. Porém em São Paulo são mais de R$ 200,00 – uma fortuna se pensarmos que iria valer somente por uns poucos meses. Mesmo assim, fui tentar e para minha surpesa…

3) Minha carteira estava com 22 pontos na carteira – como o máximo é 20, a minha estava suspensa e não havia como pedir a PID sem entregar a habilitação, cumprir uns meses de suspensão e depois voltar a pedí-la.  Até fazer tudo isto, já ia estar de volta das férias, então deixei prá lá e arrisquei. (aliás: dia 20 de Janeiro completo 60 dias de suspensão – faltam mais 30 para completar a suspensão.)

Escolhendo a locadora

Procurei em várias locadoras e, pelo preço, fiquei entre Avis e Hertz. Falei com o pessoal da Hertz e disseram que era obrigatório a PID. Já na Avis “É obrigatório somente para os países que não possuem o alfabeto romado”. Ou seja, para mim não seria obrigatório, mas…

Pensei em levar o GPS de casa, mas e o medo de não achar os mapas corretos? Ou baixar algo pensando que é a França inteira, mas só ter Paris? O aluguel do GPS acaba sendo barato e é extremamente importante tê-lo. E claro: cadeirinha. Em todas havia 3 tipos de cadeirinha, e o que precisa é reservar pelo peso da sua criança. E sim, é obrigatório – mas mesmo que não fosse, a segurança faz se tornar obrigatório.

Alugamos o carro por 5 dias e 10 horas (deixei para entregar bem tarde no último dia). Total com GPS, cadeirinha e seguro, em um carro básico com marcha manual: 470 euros. Sim, o preço de lá é muito mais próximo do aluguel brasileiro que o (baratíssimo) americano.

Pegando o carro

Chegamos no eurostar e, após procurar por um bom tempo (Gare du nord é bem bagunçada), achei as locadoras de veículos descendo umas escadas rolantes. Cheguei morrendo de medo de não aceitarem minha carteira, mas no final nem perguntaram se eu tinha alguma outra. Alívio total!! Mas… CUIDADO! Ali no post que indiquei tem bastante história de gente que teve que mostrar a permissão, então sugiro fazê-la. Só nos EUA o pessoal realmente não exige!

Eles te entregam a chave de um carro qualquer, te dão a cadeirinha e o GPS, vc desce por um elevador super apertado e dá numa garagem da estação com dezenas e dezenas de carros e fica apertando o alarme até achar o seu. É bem esquisito!

Nosso companheiro por 5 dias

Nosso companheiro por 5 dias

A cadeirinha

A que tenho aqui é um modelo de 2 peças que prendo no cinto virada para trás e acoplo a cadeirinha sobre a base. Simples e fácil de instalar. A que me deram era muito maior que a minha, porém 1 peça só. Foi fácil colocar ela virada para a frente – mas a Isabeli era muito novinha prá viajar assim… tem que virar prá trás.

Como homem não pede ajuda, fiquei por uns bons 40 minutos tentando encaixar a bendita cadeirinha… até que finalmente desisti e subi pedindo “Por misericórdia, me ajuda” Demoraram um bom tempo, mas um dos atendentes/vendedores desceu comigo. E ali me vinguei! O cara demorou outros 40 minutos, descobriu que tinha falha na cadeirinha, pegou outra e levou um tempão para instalar. Quando finalmente terminou, estava escorrendo suor, esbaforido e totalmente cansado. A cadeirinha não é fácil, não! Lógico que nem pensar em tirar dali pelo tempo todo que durou a viagem. Sei que aquele tem~~ao perdido ali custou praticamente o horário de almoço nosso.

Pior: como a cadeira não deitava muito bem, tivemos que improvisar alguma maneira da Isabeli conseguir apoio para o pescocinho, que ainda era um pouco mole… Depois de 2 dias a Mima já tinha arrumado um ‘cafofo’, montando uma espécie de barraquinha que protegia do sol(absurdamente forte) e deixava a filhota bem confortável 🙂

Isabeli em seu cafofo

Isabeli em seu cafofo

Mão na cabeça!

Assim como havia ocorrido nos EUA, aqui também a polícia me parou. Pior: eu não devia estar nem há 1 hora de Paris quando fomos parados. Não faço a mínima ideia do que o policial perguntou, sei que entreguei para ele meu documento e o contrato de aluguel, não sem antes dizer um “Bonjour Mounsier”, é claro!

Ele olhou, perguntou “Tourist?” Resposta: “Yes”. E não sei se foi porque viu a filhota atrás, ou se pq viu minha cara de quem está perdido, mas mandou a gente seguir em frente e não falou mais nada. Agradecendo aos céus por não pedir a PID, seguimos viagem.

Dirigindo

Como fomos por cidades do interior, foi muito divertido dirigir em ruas apertadíssimas e também estradas planas e sem buracos. Nas cidades do interior foi excelente ter um carro, mas nas poucas horas da saída de Paris quando começamos e na chegada no domingo, foi um caos, com congestionamentos e trânsito pesado(mesmo domingo). Portanto: se for para o interior, carro parece importantíssimo. Mas para ficar em Paris, de jeito nenhum fique com um carro, ou vai ficar mais tempo dentro dele do que fora.

Dirigindo pela França

Dirigindo pela França

Devolvendo o carro – e a pegadinha do combustível

Não sei se é assim em todo lugar por lá, mas para devolver o carro simplesmente entrei no estacionamento da estação, deixei em qualquer lugar, subi e deixei a chave e o GPS (Nem tentei tirar a cadeirinha). Foi muito estranho, mas não havia ninguém para olhar o carro se estava ok ou com algum problema, ninguém para verificar nada. Pior: o estacionamento que eu havia pego o carro estava lotado, então tive que deixá-lo 1 ou 2 andares abaixo, mas o pessoal nem perguntou nada – imagino que tenham seu controle de gps e sabem bem a posição do carro.

A pegadinha: Quando peguei o carro, avisaram que iam cobrar o que estivesse vazio no tanque ao final da viagem, sendo 100 euros o tanque completo. Durante a viagem, abasteci 1 ou 2 tanques(assim como nos EUA, vc abastece sozinho e paga a conta depois) e vi que o preço era mais ou menos este mesmo. Quando fui entregar era domingo a noite e já havia lido que abastecer em Paris pode ser complicado. Estava com 3/4 do tanque e depois de tentar 2 ou 3 bombas fechadas, entreguei o carro assim mesmo, avisando que faltava somente 1/4. Pois bem: 1 mês depois me chegam 100 euros no cartão de crédito!

Fui reclamar e encaminharam para a Avis Brasil, que simplesmente me enviou uma cópia da nota avisando que realmente era o tanque de combustível. Agora: 1 mês depois, com alguns milhares de kms de distância, vou conseguir reaver o que? Pois é: antes eu não tivesse abastecido nada, que 100 euros não seriam errados – mas com o tanque quase cheio foi fogo, viu.

Só não foi pior porque devolvei quase 2 horas atrasado e não cobraram nada, mas é bom deixar o tanque cheio ou totalmente vazio… No próximo, voltamos a programação ‘normal’ de locais visitados. Mas antes, só para deixar um gostinho de onde terminamos o dia.

Só para dar um gosinho da noite

Mont Saint Michel a noite.

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5 Respostas

  1. Mario, entre Paris e St Michel tem nos posts… são só algumas horas e se estiver aberto, vale muito passar em Giverny
    Lá em St Michel vale ter pelo menos algumas horas do dia, passar a noite(aquilo é mágico durante a noite) e ter o dia seguinte para curtir o lugar também
    St Malo não conheço… e Tours é ótimo para conhecer o Loire – mas cuidado que está me parecendo corrido demais, hein. Porque Paris dá para ficar muito tempo e ainda será pouco 😉

    Abraço,

  2. Ola Alex Melo,

    Sou o Mário do blog http:\\avidadoviajante.blogspot.com, tudo bem?

    To indo em Abril para Paris e estava pensando em fazer exatamente este mesmo roteiro Paris-Loire-Mont St Michel .

    Tambem vou chegar em Paris na Gare du Nord vindo da Bélgica, e o meu primeiro pensamento era fazer como você e alugar o carro na Gare du Nord. É muito mais cômodo, principalmente porque tambem viajo com esposa e bebê.

    Porém, nos foruns gringos 9 de 10 pessoas que conhecem Paris não aconselham fazer isso, principalmente por causa do trânsito e sinalização confusa para sair de Paris. E pelo visto você tambem teve problemas. Mas para pegar um trem teria que pegar um taxi ate Gare Montparnasse do outro lado da cidade.

    Te pergunto, qual o grau de dificuldade real (para nosso nível no Brasil) para alugar esse carro na Gare du Nord e ir para o leste? Demorou quanto tempo para deixar paris? você faria algo diferente dessa vez?

    • Oi, Mario. Tudo bem?
      Na saída de Paris até sofri um pouco – mas eu me perco mais em São Paulo que por lá…
      Trânsito foi tranquilo também – mas era domingo, então é sempre mais tranquilo.
      Eu levei mais tempo arrumando a cadeirinha no carro do que chegando a Giverny (aliás: se puder, faça esta parada que vale muito a pena)
      Sofri mais na volta mesmo, ai sim trânsito pesado – mas em São Paulo costuma ser bem pior.
      Depois, como era noite, aquelas ruazinhas da cidade podem ser bem complicadas, especialmente no escuro – mas depois de suar um pouco, deu tudo certo – só aconselho a abastecer na estrada, porque dentro da cidade eu não consegui.

      Mas…mesmo que tivesse sofrido mais, acho que vale mais a pena pegar o carro por ali mesmo do que ter que pegar trem e ir para outro lugar carregando malas.
      Muito mais prático e para quem tem o nosso trânsito, nada que não estejamos acostumados. Aliás: peguei muito mais trânsito em em Londres para ir até o aeroporto – mas ali era táxi, porque dirigir na mão errada eu não me arriscaria.

      Abraço,

      • É Alex, realmente aqui no Brasil acho que vivemos em outro mundo mesmo, os gringos ficam horrorizados com a naturalidade com a qual encaramos um engarrafamento ou mesmo uma mesmo uma viagem com bebês. Só faltaram me chamar de louco irreposnsável kkkkkk

        Mas aproveitando a mensagem, tem algum post seu que a descrição de quantos dias, cidades de pernoite e stopovers desse seu roteiro de Paris – Mont St Michel – Loire – Paris ?

        Estou pensando em fazer a parte de carro em 5 dias (4 noites), achas viavel (Paris-St Marlo ou St Michel(2 noites)-Tours (2 noites)-Paris (3 ou 4 noites)?

        Ah eu já conheço Paris, então iria só passear pela cidade mesmo com o bebê sem muito compromisso com museu, atrações, etc…

  3. Nossa,quanto sufoco,acho que ate nasceram uns cabelos brancos em você. Mas foi uma experiência e tanto. Pra tudo se deu um jeito. As experiências vividas estarão guardadas pra sempre em sua lembranças.

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