Santuário do Caraça, parte 1

O que é

Ouvi falar pela primeira vez no Caraça no Viaggiando. Achei bem curioso e lúdico e fui pesquisar um pouco mais. O site oficial é bem completo! O Caraça é um pedaço da Serra do Espinhaço, uma das muitas serras de Minas Gerais. É uma Reserva Particular natural que pode ser visitada todo dia – e muita gente faz isto, se hospedando nas (pequenas) cidades próximas. Mas isto é só o começo.

Além da natureza, o Santuário tem muita história, que começa por volta de 1770 com a construção de uma capela e tem seu período mais importante quando foi um grande colégio, entre 1820 até um enorme incêncio em 1968. Nestes quase 150 anos, muita gente importante na história brasileira estudou ali, como ex-presidentes Afonso Pena e Arthur Bernardes e alguns governadores de Minas Gerais. Importante também foram as visitas de D. Pedro I e, posteriormente, de  D. Pedro II(e sua esposa).

Mensagem de D. Pedro

Mensagem de D. Pedro

Chegando

De BH até o Caraça são somente 120 Km, que levei quase 3 horas para fazer. Para chegar lá foram umas 3 horas de viagem pela BR-40, uma estrada bem detonada, lotada de caminhões e com menos lugares de ultrapassagem do que seria necessário. Enfim: precisa ir com cuidado. Também precisa tomar cuidado na saída para Santa Barbara, que eu cheguei a passar direto por ela, mas não errei tanto.

DSC00313

Hospedagem

Como falei: muita gente se hospeda nas cidades próximas e vai ali durante o dia somente (pagando R$10,00 por dia). Mas senti que a ‘mágica’ do lugar é mesmo de noite – assim nada melhor do que se hospedar no próprio Santuário. São várias alas diferentes, todas históricas e todas podendo se hospedar. Como fomos em baixa temporada e durante a semana, pagamos R$ 247,00 por noite e nos deixaram no Sobradinho Afonso Pena. Pode parecer caro, mas é pensão completa e ficamos em quarto para 3 pessoas em um lugar fantástico.

Resolvi ficar logo 2 dias – e se tivesse algo para me arrepender, seria de não ter ficado mais! Só precisa se atentar na reserva. Eu pretendia fazer todo o circuito histórico e terminar ali a viagem, mas já estava lotado para as datas que eu queria, então tive que inverter. Foi bom porque estava meio vazio no primeiro dia, mas cheio no outro. Assim, vale reservar com pelo menos 2 meses de antecedência, como fizemos. Por outro lado, um casal que conhecemos lá chegou e resolveu ficar, já que tinha vaga. Assim que também pode dar sorte 😉

O importante é: fique no mínimo 1 noite, e dentro do Santuário.

DSC00147

Alimentação

É pensão completa. Como chegamos perto da hora do almoço, nos deixaram almoçar como incluído. E que supresa! Todas as refeições são feitas em um daqueles refeitórios enooormes de colégio mesmo. E as refeições eram todas deixadas sobre um fogão a lenha, para ficar sempre quentinha (e lembrar a casa de minha avó, onde os netos todos se reuniam para se esquentar no fogo da lenha). A comida ‘da fazenda’ pode ser meio pesada, mas foi sempre muito boa. Para o café da manhã, a gente podia fazer ovos e queijo direto  nas chapas do fogão a lenha – foi meio dificil nas primeiras vezes, mas depois que acostumei é uma beleza!

Hora do lanche

Hora do lanche

Visitantes

Ficamos lá 2 dias e meio. Nos 2 primeiros dias vieram ônibus lotados de diferentes colégios de Belo Horizonte. O lugar é grande e mesmo com a meninada fica bem tranquilo… divertido é na hora de almoço, aquele monte de crianças e adolescentes, faz pensar em como era o lugar na época do colégio.

A hora do lobo

Há mais de 30 anos, os padres começaram a deixar carne para um lobo guará que tinha na região – décadas depois, após várias gerações de lobos, isto já é um ritual diário: por volta das 19h00 é colocada uma bacia cheia de carne nos fundos da igreja, e ali ficamos os hóspedes esperando que apareça o lobo. Ele podem aparecer qualquer hora, até as 6h00 da matina. Estes lobos são bem ‘ariscos’, então precisa ficar todo mundo bem quieto esperando – e apesar do frio, a sensação de ficar esperando é bem legal.

Tinha um pessoa que estava uma noite antes de chegarmos, e avisaram que não só o lobo apareceu, como ele voltou 3 vezes antes da meia-noite. Porém… não é todas as noites, e justamente nas  2 noites que estivemos lá, não apareceu nenhum lobo 😦 Meio decepcionante, mas ficar batendo papo naquele friozinho já foi divertido o bastante.

Na próxima falo sobre o que tem para fazer no lugar, além de ficar torcendo para encontrar os lobos

DSC00165

Igreja e dormitórios

DSC00290

Até um pequeno playground tem…

DSC00256

Jardins da igreja

DSC00187 DSC00239 DSC00170

Salão de leitura

Salão de leitura

Anúncios
%d blogueiros gostam disto: