Polônia-geral

A ideia é colocar algumas dicas úteis de transporte, hospedagem, alimentação e custos do lugar. Talvez deva escrever isto nos posts de cada lugar, e quem sabe faça isto nos próximos, mas… a gente vai escrevendo e aprendendo, então vemos como fica melhor depois 🙂

A Polonia é de longe o país mais barato que fui nesta viagem – os preços de lá batem com os de São Paulo para baixo, então aqui é o lugar onde você pode economizar mais ou gastar a mesma coisa para ter algo melhor. Na época, E$ 1,00 aproximadamente PLN 4 (pln = zloty)

 Hospedagem

No Leste europeu como um todo, e na Polônia mais ainda, estão vários dos hostels melhor avaliados em www.hostelsworld.com – são muitos com mais de 90% de aprovação, assim fica razoavelmente fácil encontrar onde ficar.

Em Varsóvia, escolhi o Helvetia (http://www.hostel-helvetia.pl/) 1 noite em quarto para 8 pessoas, dorm. misto (há também dorm. feminino e privado), PLN 45 com um banheiro bom e café da manhã mais ou menos. O hostel fica no meio da ‘rota real’, perto da St Anne´s church, então de ônibus chegava fácil em qualquer lugar.

Em Cracóvia também há muita opção – mas ia ficar em quarto partilhado pelos próximos 10 dias, então como aqui a diferença não é tanta, peguei 1 quarto só para mim. Fechei pelo hostelbookers no skyhostel (http://www.hostelbookers.com/hostels/poland/krakow/3829 ). Os reviews nem são tão bons, mas como disse: queria um quarto só meu por uns dias hehe

O melhor dele é a localização, pois fica praticamente no centro histórico (é só atravessar a rua), e a 15 mins a pé da estação central (de trem e ônibus). A diária foi de PLN 55 e tem um bom banheiro no corredor, com café da manhã ok e um bom staff. Só a internet que é lenta demais. O problema é que na primeira noite algo me picou em vários lugares no braço, e uns 5 dias depois tive uma reação alérgica muito forte – mas não sei o que era, porque foi só a primeira noite e jamais vi bichinho algum na cama ou no quarto, assim que não foi problema do hostel. Bom…o hostel tem esta localização sensacional, mas fora isto é só razoável.

Transporte

 Nas 2 cidades é igual: você compra em alguns quiosques (tem vários, onde vende água e revistas também) os ‘tikety’, comprando segundo o tempo que vai usar(há passe de 60 min até mais de 1 dia). Só NÃO faça como eu: saindo do aeroporto, no próprio ônibus havia máquina de venda de bilhete – assim, quando peguei ônibus de novo pensei que seria igual, porém ali não tinha e acabei viajando de graça. Nem no outro… acabou que em Varsóvia andei várias vezes de ônibus, mas só comprei bilhete 2 vezes – por sorte, nenhum fiscal me pegou. Mas não façam isto! Não compensa o stress de ficar procurando fiscal. Em Cracóvia, como estava muito perto do que importava, nem usei transporte público. Estes tikety, de 60 minutos ficaram 2,8 PLN

Alimentação

 Não vou falar sobre onde comer, mas sim o que comer. Na Polonia o principal que vale é o Pierogi: é feito de batata, em formato de ravioli, cozido e recheado. Os recheios variam, e podem ser queijo, carne, cogumelos, e outro – assim que vale pedir um misto – além do polonês comi também a moda russa, que é frito – mas o polonês é bem melhor. Tem também o borscht, uma sopa meio apimentada – mas naquele calor eu preferi manter distância 😉

Em Varsóvia há alguns restaurantes pouco depois da entrada de barbican que valem a pena. E em Cracóvia pode comer no centro histórico – mas saia algumas quadras longe da St Mary´s Church para pagar menos.

Na média foram PLN 40 por refeição, incluindo refrigerante (e para quem bebe, há enorme variedade de cervejas..). Quando estiver afim de comer um lanche na rua, é só mandar ver nos kebabs, de diversos tipos e bastante decentes, os quais se encontra em qualquer lugar. Água, média de PLN 5

Passeios

 Em Varsóvia, o Tour no Castelo foi PLN 22, e o Concerto de órgão na igreja PLN 9. Para subir na torre e ter uma bela vista da cidade, PLN 7

Em Cracóvia: Colegium Maius é gratuito ver o relógio, mas passear dentro ficou PLN 10. Em Wawel hill, para o que fiz: PLN 37 (como ali é muita coisa diferente, vale ver o valor no site). O concerto de cordas a noite: PLN 50 (e pena que não dava para filmar…) Tour mina de sal, PLN 110 (incluindo entrada). Transporte para Auschwitz – PLN 10 para ida e 10 para volta. E o tour guiado PLN 38

E vale lembrar que em Cracóvia deve ser dos poucos lugares onde vc compra um dragão de pelúcia!!

Seguindo viagem

 De Cracóvia para Budapeste, a maioria do pessoal usa o trem noturno. Leva mais ou menos 11 horas e li em vários lugares que é a pior viagem noturna que muita gente já fez, por serem muitas paradas – ainda assim me pareceu uma boa por aproveitar o dia todo. Fui ver como reservar e descobri que não tem como (mandei email pro pessoal da empresa) – só pode comprando na estação diretamente. Como sou fissurado em adiantar tudo, procurei outros caminhos e… há 2 companhias de ônibus: www.eurolinespolska.pl e www.orangeways.com  (precisa procurar a versão em inglês nos sites).

A viagem dura somente 7 horas e sai menos da metade do valor do trem – o problema: são 3 por semana somente – assim ou eu pegava no sábado, ou só teria outro na terça feira, e foi isto o que gerou a correria ao final do tour da mina. Mas tudo bem, deu tudo certo e a viagem foi ótima. O interessante foi que em 7 horas nós saímos da Polônia, tivemos uma parada rápida na Eslováquia e terminamos na Hungria. Custo: PLN 79 e leve euros, pois é a moeda na Eslováquia.

Sobre esta viagem ainda: é importantíssimo pegar algum dinheiro húngaro ainda na Polônia (diversas casas de câmbio fazem esta troca). Isto porque cheguei em Budapeste num sábado depois das 22h00, então jamais conseguiria trocar dinheiro a esta hora, e não queria depender de caixa eletrônico. Assim, levando dinheiro foi só descer do ônibus e pegar o metrô ali mesmo…

OUTROS

Além de Varsóvia e Cracóvia (onde creio que o ideal seria ficar pelo menos mais 1 tarde, ou talvez ainda 1 dia), para quem tiver mais tempo na Polônia vale visitar as Tatra Mountains. Há tours saindo direto de Cracóvia, mas creio que vale ir até lá conhecer o lugar, com base em Zakopane.  Há a cidade de Wroklaw, outra cidade histórica que dizem ser bastante bonita e Gdansk, cidade portuária e uma das mais importantes do país.

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Auschwitz

Lendo sobre esta visita vi várias histórias de tom emocionado, então cheguei lá com sentimentos antagônicos: ao mesmo tempo que achava que iria me emocionar, via isto como um tanto besta – depois de tantas histórias e tantos anos, quem realmente sente algo? Pois sou mais um que alerta: não importa o que você já leu, ouviu, todos os filmes e séries já assistidos…  nada prepara para a realidade – para as coisas que você ouve aqui. É algo avassalador, e tão absurdo que você entende porque tanta gente na época não acreditava – isto é a prova do que somos capazes. Como disse a guia em determinado momento: “tudo o que podia ser feito para aumentar o sofrimento de quem estava aqui, era feito“.

 Como chegar: Ao contrário da mina de sal, foi bem tranquilo ir sozinho até ali. Vá até o terminal de ônibus, que fica junto ao terminal principal de trem, e peça informações. Dali, partem vans que te deixam na entrada do complexo. Chegando lá, já li que pode entrar sozinho – mas vale muito a pena pegar um tour guiado – repito: mesmo que haja muita gente, faça o tour guiado! Fiz em espanhol (achei que haveria menos gente que em inglês, mas no final foi a mesma coisa) e a guia foi simplesmente o máximo.

Auschwitz

Para quem vai lá, creio que o melhor é nem ler muito ou ver as fotos do que encontrará, pois o impacto é maior. Mas escrevo assim mesmo: entramos seguindo o famoso portão com a frase que havia em todos os portôes de campos de extermínio, provavelmente a mais cínica já escrita pelo homem: “Arbeit macht frei” – “O trabalho liberta“.

O Trabalho Liberta

O Trabalho Liberta

Ali dentro, os vários galpões são mostrados – podemos tirar fotos dos campos, mas não dentro. Do lado de fora, temos o lugar de tortura e fuzilamento, principalmente de presos politicos, as cercas de arame, as guaritas…, dentro nos galpões foram formados espécies de museus com retratos, objetos, roupas, cabelos… e durante tudo isto, as histórias absurdas escritas em painéis, ou ouvindo os guias.

Histórias de como os prisioneiros que faziam algo considerado errado sofriam castigos bastante pesados, ao final ficando sem condições de trabalhos – e gente sem condição de trabalho morre. Histórias sobre a expectativa de vida de 4 meses, das pessoas que antes de entrarem nas câmaras deixavam a roupa dobrada e separada – para não dar trabalho para os guardas. Como os cabelos eram raspados antes da morte e aproveitados para forrar almofadas e protetores de cama. As histórias de ‘Tio Mengele’ e suas experiêncas macabras… e para finalizar, a câmara de gás! – que afinal era utilizada por ser o método mais humano para morrer – não para os assassinados, pois a morte ali era terrivel – mas para os assassinos, que assim não tinham qualquer contato com suas vítimas.

Auschwitz2

  O tour guiado em Auschwitz dura em torno de 2 horas e vale muito a pena para você ouvir as histórias, ver o que aconteceu naqueles lugares, entender um pouco mais do horror que foi o holocausto. O tour, até onde eu saiba, é só Auschwitz – mas nossa guia continuou conosco também em Birkenau – e se Auchwitz é traumático, Birkenau é o Inferno.

Chaminé de Câmara de Gás

Chaminé de Câmara de Gás

BIRKENAU

Para chegar em Birkenau (ou Auschwitz II) pega-se um ônibus em frente ao centro de informações, que passa a cada 30 minutos. Em Auschwitz cabia pouca gente (30 mil), e como foi construido originalmente como estábulo, havia certo conforto. Aqui não – Birkenau foi criado como campo de extermínio desde o início – construído pelos próprios prisioneiros. Assim, eles construiram primeiramente alguns barracões para dormir – e somente depois que já haviam sido transferidos há tempos é que criaram alguns banheiros e lugares para ducha – no total, cabiam 100 mil pessoas por vez, todo dia chegando mais gente e, por consequencia, todo dia morrendo gente.

Os galpões aqui podem ser fotografados e podemos ver claramente quão terríveis eram – as pessoas que ficavam nos andares de baixo das camas viviam cerca de 1 mês, pois ali conviviam com menos ar, mais sujeira, imundície e os ratos. Quando estive lá estava um sol absurdo, dos dias mais quentes da viagem; mas nossa guia insistia: hoje está bom na comparação com o inverno, pois tinham pouca roupa e o inverno rigoroso chega a -30º, com tudo o que isto trás de doenças, frio – e as pessoas tendo que fazer caminhadas para o trabalho na neve, tendo que esperar mais de 12 horas, totalmente nuas, do lado de fora dos barracões, para tomar um banho.

 Barracões de dormir

Barracões de dormir

O lugar que mais me impressionou foram as latrinas – temos ali um amontoado de buracos, onde todos vinham e tinham que fazer suas necessidades agachados lado-a-lado. Para piorar: tinham 1 minuto pela manhã e 1 minuto pela noite – passado este tempo, havia alguém que cuidava para tirá-los de lá. Frase que ela ouviu de antigo prisioneiro: “Quando veem isto, dizem que éramos tratados como animais, mas isto não é verdade: um animal faz suas necessidades onde quiser, quando quiser – e nós não“.

Banheiros

Banheiros

Para finalizar este dia de horror, vemos o que restou dos crematórios(ao final da guerra, os nazistas tentaram destruir tudo), e também um lago onde os queimados tinham suas cinzas jogadas – pois serviam de adubo para as plantações. No fim das 4 horas de caminhada pelos campos, minha conclusão era: Viver aqui era tão terrível que era melhor ir diretamente para a câmara de gás do que viver num lugar destes – mas é claro que nosso desejo de viver é muito mais forte do que tudo isto, tanto que umas poucas centenas conseguiram chegar vivos até o final.

Trens vinham de toda a Europa

Trens vinham de toda a Europa

Homenagem em um lago de cinzas

Homenagem em um lago de cinzas

Calcula-se em 1,5 milhão de pessoas mortas aqui, principalmente judeus e ciganos (e muitos morriam no caminho, como judeus gregos que ficavam dentro de trens super-lotados sem água, comida ou parada para banhero por 10 dias)Sim, é o lugar onde ocorreram as piores atrocidades da história, mas é muito importante manter viva a memória de que a bondade do homem tem limites, mas nossa maldade não.  Pior que vendo tudo isto, pensamos que aprendemos algo – mas dias depois em Budapeste ouvi histórias de coisas parecidas praticadas pelos russos contra o povo de lá bem depois do fim da Guerra- mostrando que não aprendemos nada!

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Cracóvia

De Varsóvia para Cracóvia são somente 2h30 de trem (reservas abertas somente 30 dias antes) e apesar da fama, o trem era bastante confortável e chegou poucos minutos atrasado. Como o hostel era perto, fui caminhando até lá, só tomar um banho e sair comer algo. Acabou que sem querer, cheguei até a parte histórica de Cracóvia – o que foi muito legal, por não esperar ver nada neste dia.

OLD TOWN

Nada como começar a conhecer o centro histórico pelos seus portões – assim, fui para Barbican, o lugar que guardava a cidade desde 1498, e onde hoje há encenações de lutas medievais com gente vestida a caráter.

Barbican

Barbican

Não muito longe fica o Colegium Maius, uma das mais antigas universidades européias, tendo Nicolau Copérnico seu mais conhecido estudante, nos anos 1490. Muita gente vai lá nas horas inteiras somente para ver as imagens passando pelo relógico (algo parecido com o relógio de Praga) – pois vale  a pena pegar o tour – ali dentro você vê, além de instrumentos usados por Copérnico, diversos relatos e até mesmo o manuscrito original onde ele escreveu suas teorias que revolucionaram a astronomia. Há muitas salas interessantes, a que mais gostei foi uma com uma pedra lunar, o primeiro Globo Terrestre que incluia a América do norte, e alguns prêmios recebidos por poloneses e doados para o colégio, como Nobel e de cinema (alma de Cannes, Urso de Berlim e Oscar, de Andrzej Wajda). Até hoje, em ocasiões muito especiais, há sessões realizadas na antiga sala de formaturas. Pena que são pouquissimas as salas onde pode tirar fotos, e a tentação de ter a do Oscar foi vencida pelo segurança, que não nos deixou sozinhos em momento algum.

Colegium Maius

Colegium Maius

Neste centro histórico há também várias igrejas (a Polonia é um dos países mais católicos do mundo). A principal é a St Mary´s Church, do sec.14 – a visita ali é paga, mas vale o preço, pois é linda. A igreja fica em Rynek Glówny, a maior praça medieval da Europa, junto a diversos outros pontos que valem muito a visita, como o Sukiennice, onde hoje é o mercado de souvenirs, que esta ali desde o sec. 16. Há muitos outros pontos ali que valem a visita, datando desde o século 11.

St Mary´s Church

St Mary´s Church

De noite, vale aproveitar algum dos concertos que tem principalmente nas igrejas, entre os diversos folhetos, resolvi ouvir algumas musicas de cinema tocadas por um quinteto – e poucas coisas emocionaram tanto quanto ouvir a trilha sonora de A Lista de Schindler na terra de Schindler!

WAWEL HILL

Subindo o centro histórico, chega-se ao Wawel Hill, principal ponto turistico na cidade e onde ficam o Castle e Wawel Cathedral. São diversos lugares que foram erguidos em diferentes séculos e podem ser conhecidos através de um complicado esquema de ingressos. Se quiser conhecer os Private Apartments chegue cedo – cheguei perto do meio-dia e só havia ingresso para o dia seguinte. Assim, me contentei com o State Rooms e as salas do Tesouro. Também entrei na Catedral, que é simplesmente magnífica e totalmente muvucada – ali eram feitos os casamentos e também enterros dos reis poloneses, com vários destes ainda hoje ali. Só depois de sair que descobri que tinha que pagar para tirar fotos, mas a bagunça era tão grande que já tinha tirado 😉

Wawel Castle e Cathedral

Wawel Castle e Cathedral

Para voltar ao centro, nada como a Dragon´s Cave – a Caverna do Dragão, que não é o desenho dos anos 80, mas sim a que deu origem ao lendário dragão que atormentava a região. A caverna é meio besta e não tem nada – valeu para descer rapidamente e porque é bem fresquinha, algo ótimo num dia absurdamente quente como quando estive lá.

Todos estes lugares eu conheci no 1º dia, pois os dias estavam bastante longos. Pode valer ir primeiro para o Wawel Hill, para conseguir assim ver os Quartos, que é o ponto alto do Castelo – mas… não senti falta de não vê-los, assim vai de cada pessoa.

Wawel Cathedral

Wawel Cathedral

No 2º dia, fui para Auschwitz, mas este precisa de um post próprio. Assim, vamos a correria que foi meu 3º (e último) dia ali:

WIELICZKA – A mina de sal

 No último dia, tinha ônibus saindo no começo da tarde para Budapeste – mas eu queria muito ver a tal da mina. Assim, contrariando todos os meus instintos, fui. E a melhor decisão que tomei no dia foi me juntar a algum tour. Sim, tour para a mina de sal é muito mais caro do que ir sozinho – mas tive dificuldade para achar o ônibus para ir lá, o que se revelou ótimo porque o pessoal dos tours parece ter prioridade. Assim, chegando na mina haviam filas imensas para entrar, mas nós chegamos e seguimos quase diretamente para dentro – isto porque tínhamos guia, não precisando esperar que algum dos guias deles estivesse livre.

A mina é interessante, mas longe de imperdível (e claustrofóbicos devem sofrer). O tour começa descendo 900 degraus até o 1º (de 3) andar que visitamos, e vamos vendo como era o trabalho dos mineiros e as câmaras que eles construiram. A mais impressionante é realmente a Chapel of Blessed Kinga, uma capela enorme onde até hoje pode-se fazer casamento (deve ser pouco caro). O passeio dura umas 2 horas e vale por ser diferente, mas não precisa de consciência pesada se não tiver tempo.

Capela Blessed Kinga

Capela Blessed Kinga

Quase perdendo o ônibus: Outra coisam muito boa do tour guiado é que, como a fila para sair da mina era muito grande, fomos por um elevador mais antigo, mas que pulou na frente de todo mundo. Assim, cheguei na agência com 20 min. para a hora do ônibus – corri até o hostel (que era perto), peguei a mochila pesada e me mandei para o terminal de ônibus – que também não era longe. Mas por mais rápido que eu fosse, com aquele peso todo nas costas e um calor escaldante, cheguei uns 5 minutos atrasado! Para minha sorte/alegria total, estava na Polônia, onde as coisas não são tão pontuais – quase chorei de alegria enquanto tomava bronca gigantesca do motorista antes dele colocar minha mala no bagageiro e ao mesmo tempo tentava tirar um pouco do rio de suor que eu tinha na cara – era algo bem nojento, admito.

Ficou menos pior quando, já sentadinho, chegaram os 2 últimos passageiros, ainda mais atrasados que eu – e só aí partimos! Não aconselho isto para ninguém – emoção assim não vale a pena, não hehe

 

OUTROS

Quem tiver mais tempo em Cracóvia, aproveite para conhecer a parte judia (Kazimierz), ou fazer algum dos tour temáticos – os principais são os relacionados a Schindler e João Paulo II(que era arcebisbo aqui quando foi eleito Papa). Vale a pena estudar sobre a Old Town – ali parece bastante interessante o Czartoryski Museum, que tem obra até de DaVinci – mas estava fechado quando estive lá. Quem tiver ânimo, suba a torre do relógio…

Enfim, Cracóvia é uma cidade com uma história impressionante, que vale muito conhecer – e se não puder ver as 2 e tiver que escolher entre Cracóvia e Varsóvia, fique com esta aqui.

Varsóvia

Acabou a festa da Copa, hora de começar para valer a viagem, rumo ao Leste! Como é low-cost, não tem lugar marcado, então a fila de embarque estava grande uns 40 min. antes do voo – como não preciso ficar em lugar tão bom, esperei todo mundo entrar (e com atraso, quase 2 horas na fila), então fui praticamente o último. Lá dentro, a primeira fileira estava vazia 😀   Fui perguntar algo para um dos comissários e ele não falava nem espanhol, nem inglês. Não demorou nada e já vinha uma moça falando ingles, mas senti que realmente estava indo para um lugar muito diferente!

Voo tranquilo, chegada no aeroporto idem, precisa arrumar uns trocados para pagar a passagem de onibus… rapidamente reuniu um grupinho de gente com mochila, todo mundo perdido procurando onibus para o centro. Ali ao centro são 30 minutos (menos se for pegar trem para outro lugar, como o restante do pessoal fez).

Primeira parada, como já estava ficando tarde, foi no Parque Lazienki, que é muito bonito. No monumento à Chopin há um banco onde se aperta um botão para escolher qual das músicas dele você quer que toque. E depois de uma boa caminhada (onde passei por 3 noivas tirando fotos), chega-se ao Palácio Sob as Águas, que além de ser em um lugar muito bonito, ainda tem diversos pavões passeando pelas redondezas, o que deixa ainda mais bonito. Muitos idosos, diversos carrinhos com bebês fazem deste parque uma boa parada para uma tarde quente.

Palácio sob as águas, Parque Lazienki

Palácio sob as águas, Parque Lazienki

 CENTRO HISTÓRICO

Ao pegar o onibus de volta, resolvi ir até o centro histórico. É beeeeem complicado se entender com aquelas palavras cheias de “W” e dezenas de consoantes, mas comparando o nome que estava nos mapas com o nome das estações, escolhi um lugar que parecia próximo. E realmente, saí bem perto do centro, mas em lugar totalmente diferente do que eu esperava sair – tudo bem, dei de cara com as muralhas que circundavam a cidade histórica – muralhas medievais, taí uma coisa que não vejo todo dia!

Na manhã seguinte, checkout e deixei as coisas no hostel. Dali, diretaço para o centro histórico, conhecer mais detalhes das muralhas (enquanto o pessoal pensa em contos-de-fadas, eu penso em batalhas na idade média). Os destaques são o Royal Castle, com suas muito suntuosas salas, cheias de espelhos e de ouro (e onde o tour que vi só tinha em polonês, mas se aproveita assim mesmo), e Rynek Starego Miasto(O Mercado Central) que desde 1240 abriga comércio e hoje diversos restaurantes.

Muralhas do centro histórico

Muralhas do centro histórico

Rynek Starego Miasto

Rynek Starego Miasto

Também ali está a St John´s Cathedral onde tive uma das melhores experiências da viagem. Primeiro, a igreja é bastante bonita – mas foi descendo para as criptas que mais uma vez comecei a pensar em como o Brasil é uma nação nova… ali há reis que morreram em 1420- antes do descobrimento do Brasil!! Este pensamento se repetiu diversas vezes na viagem. Para terminar, a experiência marcante foi ficar naquela igreja de 400 anos, ouvindo um concerto em um daqueles enormes pianos de calda. Simplesmente lindo!!

Rynek Starego Miasto

Rynek Starego Miasto

Centro histórico

Centro histórico

Para quem gosta de música, vale a pena também passar na igreja Church of the Holy Cross, onde terá uma bonita homenagem a Chopin onde, dizem, foi enterrado seu coração. A igreja fica numa parada de ônibus não muito longe do centro histórico, no chamado Caminho Real (entre o centro e o parque Lazienki)

 O LEVANTE

O último(e mais novo) ponto que deve ser conhecido na cidade é o Museu do Levante de Varsóvia  Durante a ocupação nazista do país, um grupo produziu uma revolta, com esperança de ter ajuda dos “Aliados”. Porém, esta ajuda não veio – então Hitler jogou toda sua fúria contra a cidade. Foram mais de 200 mil mortos, contando mulheres e crianças. Além disto, Hitler bombardeou toda a cidade e, para mostrar o quão sério era, dinamitou todos os prédios históricos que sobraram.  O resultado disto é que aquele centro histórico lindo que vemos foi na verdade todo reconstruído nos anos 60, usando o mesmo material que usaram na época original. Além desta história, temos também algo sobre a luta contra o domínio comunista. É um tanto fora dos caminhos turísticos normais, mas vale muito a pena conhecer este belo museu, que deve ter no mínimo 2 horas para conhecer bem.

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FINALIZANDO

Quase todo mundo que vai à Polonia fica somente em Cracóvia – mas vale a pena ficar um tempo em Varsóvia, sim. Pode ser mais do mesmo, mas se for chegar ou ir embora por aqui, aproveite e conheça esta cidade com uma história incrível em seus séculos de existência e muito triste no século XX(como aliás, toda esta região). Mesmo que tenha pouco tempo, vale ao menos 1 dia – chegando pela manhã e partindo a noite, ou chegando no começo da tarde, e só indo em frente na tarde seguinte (como eu fiz).

Claro, é uma cidade grande e quem tiver tempo poderá ver muito mais coisa, outros parques, museus, a parte judaica e também a comunista – mas o centro histórico é uma graça e já fará a estadia por aqui bastante valer muito a pena.

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